Airton Sinto pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá após publicar mensagens contra a contratação de eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). O pedido foi noticiado em 29 de outubro de 2026.
As publicações circularam nas redes sociais e incluíram declarações sobre contratar ou prestar serviços a eleitores do PT. Segundo a Prefeitura de Guarujá, as manifestações eram pessoais e não representavam o governo municipal.
Advogado de 59 anos, Sinto mora em Guarujá, no litoral de São Paulo, onde mantém escritório há 27 anos. Ele também concorreu a cargos de vereador e prefeito no município.
O caso teve manifestações do ex-secretário, da prefeitura e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Guarujá. A entidade afirmou que restringir oportunidades profissionais por posicionamento político é incompatível com os princípios do Estado Democrático de Direito.
Trajetória de Airton Sinto na advocacia e na política
Formado em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em São Paulo, Airton Sinto também atuou na política municipal de Guarujá. Em uma biografia publicada em rede social, descreveu-se como “justo com os justos e muito mais justo com os injustos”.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Sinto concorreu a vereador em 2008, pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC), e ficou como suplente. Em 2012, disputou a Prefeitura de Guarujá pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), mas não foi eleito; quatro anos depois, voltou a concorrer à Câmara Municipal, pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e novamente ficou como suplente.
Na advocacia, Airton Sinto defendeu a família de Fabiane Maria de Jesus, morta em 2014 após ser confundida com uma sequestradora de crianças por causa de uma notícia falsa compartilhada nas redes sociais. A família moveu uma ação contra o Facebook.
Publicações contra eleitores do PT e pedido de exoneração
Capturas de tela das redes sociais atribuídas a Sinto mostram uma publicação em que ele afirmou que não comprava, contratava ou advogava para eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). As mensagens foram divulgadas antes do pedido de exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania.
Em outra postagem, o advogado compartilhou a frase “Não contrate quem ODEIA empresários”. Também publicou a imagem de uma conversa em que uma mulher pedia ajuda para comprar uma cesta básica; o autor da mensagem dizia que, como ela havia comemorado a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não precisaria mais de doações porque o presidente a teria tirado da pobreza.
Entre as demais mensagens compartilhadas por Airton Sinto havia uma frase com referências a “rifinha, vakinha, docinho, bolinho, ajudinha” e a pedir auxílio ao “veinho”. As publicações sobre contratação e ajuda financeira se somaram às declarações sobre eleitores do PT que motivaram a repercussão do caso.
O que disseram Sinto, a Prefeitura de Guarujá e a OAB
Ao se manifestar sobre o caso, Sinto afirmou que as postagens expressavam opiniões políticas e não tinham relação com sua função na Prefeitura de Guarujá. Ele disse que não pretendia ofender ninguém nem incitar violência, e declarou estar sendo alvo de ofensas e ameaças nas redes sociais.
O advogado também afirmou que sua decisão de não manter relações pessoais ou profissionais com pessoas ligadas à ideologia de esquerda dizia respeito às suas escolhas individuais. Segundo ele, as publicações não tinham intenção de promover preconceito ou segregação; a prefeitura, por sua vez, declarou que as manifestações eram pessoais e não representavam o posicionamento do governo municipal.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Guarujá, afirmou que a liberdade de convicção política é um direito fundamental. A entidade considerou incompatíveis com o Estado Democrático de Direito a discriminação e a restrição de oportunidades profissionais por posicionamento político, e ressaltou que a advocacia exige ética, respeito à dignidade humana e que agentes públicos atuem com impessoalidade.


