Airton Sinto pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá após publicações sobre contratação de trabalhadores por posicionamento político, segundo a prefeitura. O caso foi divulgado em 28 de outubro de 2026.
As postagens foram feitas nas redes sociais e incluíram mensagens sobre eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). A repercussão também levou a Prefeitura de Guarujá e a Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no município a se manifestarem.
Advogado, Airton Jose Sinto Junior ocupava o cargo na cidade do litoral de São Paulo. Ele afirmou que as publicações eram opiniões pessoais, sem relação com a função pública.

A prefeitura declarou que as manifestações não representavam o governo municipal, enquanto a OAB criticou a discriminação por convicção política. A notícia reúne os registros das postagens e os posicionamentos apresentados pelas partes.
Publicações nas redes sociais e pedido de exoneração
Uma captura de tela divulgada pela TV Tribuna mostra Airton Sinto afirmando que não compraria, contrataria nem atuaria como advogado para eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). As mensagens tratavam de decisões profissionais e comerciais relacionadas à orientação política de possíveis clientes ou trabalhadores.
Em outra publicação, ele compartilhou a frase “Não contrate quem ODEIA empresários”. A postagem também incluía a imagem de uma conversa em que uma mulher pedia ajuda para comprar uma cesta básica; o autor da mensagem dizia que ela havia comemorado a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e, por isso, não precisaria mais de doações.
Airton ainda divulgou uma frase com as expressões “rifinha, vakinha, docinho, bolinho, ajudinha” e referência a pedir ajuda ao “veinho”. As imagens circularam nas redes sociais e foram associadas à discussão sobre contratação e apoio a pessoas por suas posições políticas.
O caso em que Airton Sinto pede exoneração teve como contexto a repercussão dessas mensagens. Segundo a prefeitura, ele formalizou o pedido de saída do cargo após as publicações.
Posicionamentos de Airton Sinto
Em nota, o advogado afirmou ser um homem de direita e disse que suas postagens apresentavam uma análise da disputa política e eleitoral no Brasil. Segundo ele, as manifestações eram opiniões pessoais, sem relação com a função pública que exercia em Guarujá.
Sinto sustentou que expressou seu pensamento sem ofender pessoas nem incentivar perseguição ou violência. Também declarou que sua decisão de não manter relações pessoais ou profissionais com pessoas ligadas à ideologia de esquerda, embora pudesse parecer antipática, não representava preconceito ou segregação.
O advogado defendeu que suas declarações estavam protegidas pela liberdade de expressão e afirmou estar recebendo ofensas e ameaças nas redes sociais. Na nota, mencionou o caso de Fabiane de Jesus, ocorrido em Guarujá em 2014, e disse que representa a família em uma ação para responsabilizar provedores pela divulgação e manutenção de conteúdo que, segundo ele, incitou violência.
Posicionamentos da prefeitura e da OAB
A Prefeitura de Guarujá declarou que as publicações eram manifestações pessoais de Airton Sinto e não expressavam a posição do governo municipal. A nota da administração tratou da distinção entre as opiniões divulgadas pelo advogado e o posicionamento institucional da prefeitura.
A Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Guarujá afirmou que a liberdade de convicção política é um direito fundamental. Para a entidade, discriminar pessoas ou restringir oportunidades profissionais por causa de sua orientação política é incompatível com os princípios do Estado Democrático de Direito.
A OAB também apontou que a advocacia exige ética e respeito à dignidade humana. Em outra manifestação, ressaltou que agentes públicos devem atuar com impessoalidade e que divergências políticas não justificam excluir cidadãos do mercado de trabalho.


